Caio Nunez apresenta “Nada Fica Fora do Lugar”, seu álbum de estreia

Acaba de aterrissar nas plataformas de música “Nada Fica Fora do Lugar”, o álbum de estreia do multiartista Caio Nunez. Conheci seu som em 2021, quando ele tinha acabado de lançar o feat com Tássia Reis, “Só Que Não”, e com THAMI, “Flutuar”. Desde então, mergulhei numa discografia que se iniciou lá em 2015 e, até hoje, continuo apaixonado pela sua visão artística e pela forma como ele apresenta sua arte ao público com ternura e uma verdade que poucas pessoas conseguem sustentar.

Por isso, quando soube que o primeiro álbum estava chegando, mandei mensagem para ele no Instagram, felicitando, e fiquei na expectativa de ouvir esse trabalho — fruto do tempo, fruto da maturidade de um artista que, ainda jovem, sabe como deseja encantar. E “Nada Fica Fora do Lugar” não decepciona.

A sonoridade é brasileiríssima, popular e contemporânea. Conta com direção musical de Gabo Marinho — que também colabora na deliciosa e pop “Ginga” — e traz a sensibilidade de Léo Israel na produção da mística “Dia de Oxalá”. Toda essa atmosfera sonora ganha vida no ambiente digital pela Dutra Records em parceria com a Sony Music Brasil, traduzindo-se perfeitamente no olhar de João Pedro Oliveira, responsável pela fotografia, e no projeto gráfico de Nomoa, que assina a arte de capa e costura a identidade visual do projeto.

Violões, baixos, flauta e percussão misturada a elementos eletrônicos se conectam e harmonizam com as participações de Luellem de Castro em “Dia de Oxalá”, Rashid em “Reticências” e Luana Karoo em “Valongo” — encontros genuínos que se somam à essência musical de Caio. E é justamente de “Valongo” que vem o título do disco, carregando no nome a memória afro-brasileira que atravessa o projeto inteiro.

Caio disse que buscou “revisitar referências do passado” para deixar o presente em ordem. Ouvindo o álbum, a gente entende exatamente o que ele quis dizer: o disco percorre espiritualidade, memória e afeto com naturalidade. Isso se revela de forma orgânica em “Cavalo de Aço”, cuja composição Rui Nunes, pai do artista, assina ao lado do filho.

“Nada Fica Fora do Lugar” não é uma estreia ansiosa. É a chegada de alguém que já sabia onde queria chegar — mas que, como cantou e eternizou Dona Ivone Lara, levou o tempo que precisava para chegar “devagarinho” e mostrar por que é um dos artistas mais interessantes da nova geração da música brasileira.

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